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BC poderá usar instrumentos cambiais ‘com parcimônia’, diz Ilan

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Durante cerimônia de posse, novo presidente do Banco Central reafirmou importância de sistema de metas de inflação e do chamado tripé macroeconômico

O novo presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, usou a palavra “parcimônia” para descrever a forma como a autoridade monetária pretende usar os mecanismos de intervenção no mercado de câmbio. “Sem ferir o regime de câmbio flutuante, o BC poderá usar, com parcimônia, as ferramentas de que dispõe”, disse, acrescentando que a atuação se daria “em ritmo compatível com o normal do mercado”. A afirmação foi feita durante sua posse como chefe do BC, em Brasília, na tarde desta segunda-feira.

Em sabatina no Senado, na última terça-feira, Ilan já havia reiterado “respeito ao regime de câmbio flutuante”. O dólar caiu naquele momento por causa de suas declarações.

Ao comentar o regime de metas de inflação, Ilan disse nesta segunda-feira que o sistema tem um “arcabouço robusto”, que já provou eficiência em distintos cenários, incluindo situações de stress aqui e no exterior. “Participei da implantação do regime de metas no Brasil, entre 2002 e 2003, e conheço seus princípios e práticas”, disse. “Sei que o objetivo é cumprir plenamente a meta estabelecida pelo Comitê Monetário Nacional (CMN), mirando o ponto central. O limite de tolerância serve para acomodar choques inesperados que não permitam a volta ao centro da meta em tempo hábil.”

Em paralelo, reforçou a importância do gerenciamento de expectativas, “fator-chave” para o sucesso do sistema. “É importante que as expectativas indiquem no presente uma trajetória que preveja a convergência para o centro da meta em um futuro não muito distante”, disse.

Sobre a inflação, Ilan declarou que a manutenção do índice em nível baixo “reduz as incertezas e eleva a capacidade de crescimento do investimento e da economia”, a fim de contribuir uma sociedade de uma sociedade mais justa. Em doze meses, o IPCA está em 9,32%. Para 2016, a meta central é de 4,5%, dentro de uma banda que permite oscilar entre 2,5% e 6,5%. Para 2017, o alvo central é de 4,5%, mas o teto é menor: 6%.

Em reforço à fala do ex-dirigente da instituição, Alexandre Tombini, Goldfajn declarou que o cenário atual é desafiador – no que definiu como a “pior recessão da história”, como recentemente fez o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles – e acrescentou que a situação atual exige “grande atenção”. “Há problemas estruturais e conjunturais. A incerteza econômica paralisou investimento e sequestrou a esperança de muitos. No exterior, o período de ventos favoráveis já passou”, disse.

Em seguida, Ilan disse que há consenso em torno da necessidade de substituir os efeitos da chamada “nova matriz econômica” – de estímulo ao crescimento via queda de juros – pelo “velho e bom” tripé macroeconômico, formado por responsabilidade fiscal, controle da inflação e regime de câmbio flutuante. “É importante destacar que a eficiência da política monetária será tanto maior quanto forem bem-sucedidos os esforços na implementação das reformas e da recuperação da responsabilidade fiscal.” “Devemos buscar uma economia mais competitiva e justa. Uma economia que volte a crescer e a gerar emprego. Uma economia que o Brasil precisa e merece. Precisa ser gerida de forma consistente e previsível”, acrescentou.

O novo dirigente do BC disse também que o presidente interino, Michel Temer, disse que enviaria uma emenda constitucional que consolide a autonomia operacional e técnica do BC na busca pelos objetivos de política monetária cambial e estabilidade do sistema financeiro. “Também será importante definir a autonomia orçamentária do BC.” Por fim, anunciou nomes que indicou para a nova diretoria: Carlos Viana de Carvalho (política econômica), Isaac Sidney Menezes (relações institucionais e cidadania), Tiago Couto Berriel (assuntos internacionais) e Reinaldo Le Grazie (política monetária).

A cerimônia contou com a presença de ex-presidentes do BC, como Armínio Fraga, Gustavo Franco, Carlos Langoni, Gustavo Loyola, Pérsio Arida, além de ex-diretores, como Luiz Fernando Figueiredo, Mário Mesquita, Mário Torós, Sérgio Werlang, o ministro Marcos Pereira e o presidente do Bradesco, Luiz Trabuco, entre outros.

te Michel Temer seja aprovado pelo Congresso Nacional.

Ele ainda disse que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para limitar o crescimento de gastos primários do governo à inflação do ano anterior deverá ser enviada ao Legislativo “possivelmente” na quarta-feira. “Não se pode subestimar a importância do que será proposto ao Congresso. A fixação do teto (para as despesas), se for aprovada, conseguirá reduzir de forma progressiva e permanente a percepção de risco”, disse.

Meirelles voltou a dizer que a prioridade do governo é a busca pela sustentabilidade fiscal e acrescentou que sua equipe econômica está construindo um novo arcabouço institucional para reverter a trajetória de avanço da dívida pública. “O compromisso com a responsabilidade fiscal reduzirá a percepção de risco do país e permitirá ocupar a ociosidade que existe hoje na economia.”

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