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Ford faz maior reestruturação desde crise de 2008 e demite 7 mil empregados

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Montadora americana, pressionada por novas tecnologias, confirma que vai demitir 7 mil funcionários, cerca de 10% da administração, para economizar US$ 600 milhões por ano

São Paulo — O recente anúncio de fechamento da fábrica da Ford em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, parece ter sido um prenúncio de dias tensos na montadora americana em todo o mundo. Em e-mail distribuído na manhã de ontem pelo presidente global Jim Hackett, a companhia anunciou que vai extinguir 7 mil empregos, o que representa cerca de 10% de sua força de trabalho no setor administrativo — no mais agressivo processo de reestruturação desde a crise de 2008, que quase levou as fabricantes de automóveis de Detroit à falência.

O texto do chefão da Ford admite que a companhia está sob pressão para se adequar às evoluções tecnológicas e afirma que o setor automotivo, em geral, está próximo da saturação. Com os cortes e integração de departamentos, a Ford calcula que economizará mais de US$ 600 milhões por ano. Grande parte das demissões será concluída até sexta-feira nas operações dos Estados Unidos, Canadá e México. Até o fim de agosto, outros mercados passarão pelo facão da matriz, incluindo China, Europa e América do Sul, região que tem o Brasil como principal praça.

“Para ter sucesso em nosso competitivo setor e posicionar a Ford para vencer em um futuro de rápidas mudanças, precisamos reduzir a burocracia, capacitar gerentes, acelerar a tomada de decisões, focar no trabalho mais valioso e cortar custos”, escreveu Hackett. “A Ford é uma empresa familiar e dizer adeus aos colegas é difícil e comovente”.

Os investidores têm observado com atenção o processo de reestruturação da montadora. Neste ano, as ações da Ford acumulam valorização de 34%. Hackett afirma que o processo de demissão vai tentar preservar o chão de fábrica e os funcionários que ganham menos. O foco é eliminar mais de 20% dos cargos de gerentes de alto escalão. Além de reduzir custo, o objetivo, segundo ele, é reduzir a burocracia e agilizar a tomada de decisões no grupo. De acordo com uma fonte ouvida pela reportagem da Bloomberg, a medida também inclui congelamento de cerca de 2,3 mil vagas, a maioria nos Estados Unidos.

As demissões devem reduzir a estrutura administrativa da Ford em 20% e simplificar o número de camadas organizacionais de 14 para nove ou até menos, disse Hackett. Os cortes de empregos ficaram bem abaixo das 25 mil demissões previstas por um analista do Morgan Stanley no ano passado. Nos Estados Unidos, a montadora vai demitir 800 funcionários, sendo 500 esta semana, segundo um porta-voz da montadora. Em 25 de abril, a Ford tinha 196 mil funcionários em todo o mundo em relação aos 202 mil no fim de 2017.

Jim Hackett, CEO global da Ford, diz que é preciso reduzir a burocracia, focar no trabalho mais valioso e cortar custos
(foto: Bill Pugliano/AFP)

O anúncio de ontem não surpreendeu. Em outubro, a Ford já havia enviado um alerta de demissões, reforçando a necessidade de uma reestruturação global de US$ 11 bilhões. Outras mudanças estão focadas no desenvolvimento de produtos, como a criação de uma equipe de arquitetura e design de veículos e maiores investimentos em informação e entretenimento, desenvolvimento de software e eletrificação. No início de abril, Ford, GM e Toyota disseram estar formando um consórcio para ajudar a elaborar padrões de segurança para carros autônomos que poderiam definir regulamentações nos Estados Unidos.

As demissões de agora acontecem em um ambiente em que as montadoras globais tentam se adaptar às preferências dos consumidores por crossovers e SUVs e menor demanda por sedãs, queda nas vendas e alto custo de eletrificação de seus modelos para atender às restrições de emissões de gás mais rígidas em mercados como China e Europa.

General Motors, Volkswagen e Jaguar Land Rover, da Tata Motors, também estão eliminando milhares de empregos como reflexo das profundas transformações em curso na indústria automotiva e da mudança de perfil dos consumidores. Segundo especialistas, o processo está apenas no começo.

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